segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O XIS-CRUTE DO McOMAS




Depois do grande sucesso alcançado com o já clássico X-Polenta na Terra da Cocanha, o McNonas aposta todas as suas fichas em outro étnico, o X-Crute.

Trata-se de um hamburguer desenvolvido especialmente para os descendentes dos saxofônicos que no século XIX embarcaram em Hamburgo para ganhar a vida no País dos Tolos.

O hamburguer, recheado com uma legítima Leberwurst grelhada (linguiça de fígado), vem acompanhado por uma porção de batatas ao forno e um prato do melhor xucrute lamão. O cliente ainda poderá optar por uma salsicha vienense ou por uma morcilha cozida (ou as três simultaneamente).

O lançamento da iguaria está previsto para o final do mês, na filial do McOmas de Nova Potatópolis.

- Bra nóis ali uma veiz é um cránde satisfaçom der uma brato típico to logal. Ansim a chende gonsegue adrair sembre mais e mais b'ssoas bra fisidar a sitade e abreciar as pelas goisas da rechióm - afirma o Secretário de Turismo, Gastronomia, Filosofia, Comunismo, Psicanálise, Romantismo e Música Clássica de Nova Potatópolis (Capital do País dos Tolos), Hannes Sapato-de-pau.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O BANCO DE HORAS DO SAUL SULTÃO



Já é sabido que Saul Sultão ampliou seus negócios na Terra da Cocanha com a criação de um Banco de Horas. Trata-se, conforme especialistas no assunto, de um dos maiores empreendimentos de todos os tempos. “Todo mundo precisa de tempo; uns o tem de sobra e outros o tem de menos. E se já foi um dos mais caros problemas filosóficos da modernidade, atualmente o tempo é assunto concreto de gente prática, como o Saul Sultão” – afirma Oídio Maisena, investidor da Vespa do Boi, de São Palha.
O dono do negócio, Saul Sultão, acredita que os cocanheses, por não desperdiçarem tempo, serão os melhores correntistas do Banco de Horas. “O povo daqui não gasta tempo debalde, é tudo no conta-gotas. E o Banco aposta no tempo que os cocanheses guardam embaixo de colchões de palha. Afinal, time is fiorim” – arremata o empreendedor.
A seguir, apresentamos detalhes dos principais investimentos disponíveis aos correntistas do Banco de Horas:


AMPULHETA: tipo de investimento que, vira e mexe, não rende nada. Indicado apenas como forma de transição àqueles correntistas que sempre guardaram tempo debaixo dos colchões.

RELÓGIO D’ÁGUA: oferece rendimentos, até certa medida, estáveis e contínuos, como o fluxo de alguns rios. Mas, porque o Banco utiliza a água do rio Tegão para ativar as azenhas, há sempre o risco de ele ser drenado para outros fins. Aí, é prejuízo na certa.

RELÓGIO DE SOL: investimento também muito ruim, porque não rende à noite, nem em dias chuvosos, nublados ou com cerração. E há também a ameaça iminente da fumaça dos fogolares e do vulcão Poletna.


RELÓGIO ATÔMICO: à base de Césio Fiat 147, este investimento é o mais seguro de todos, porque pode levar até 14.000.000 de anos para o correntista perder um mero segundo. Mas, por não ser a tentação mais barata, é certo que os cocanhese resistam a ela.

RELÓGIO CUCO: investimento ideal para criadores e caçadores de perdizes, cucos, azulões, sabiás e outras aves. A médio e curto prazos, ótimo para engorda de cucos para a ceia de natal. O correntista deve apenas tomar cuidado com espingardas de chumbinho, boleadeiras, arapucas e visgos dos outros concorrentistas.


RELÓGIO BIOLÓGICO: verdadeira aposta a longo prazo para quem vai viver mais de 100 anos (como os vechianopolenses). O problema é o resgate do investimento, que só pode ser feito após a morte do correntista. Trata-se, em suma, de uma espécie de seguro funeral.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

ORAÇÕES À POLENTA

Polenta Nossa
Polenta nossa, que da boca estais no céu,
santificada sejas, Mata-fome,
venha o Vosso reino ao nosso abdôme,
sejas feita em grande quantidade,
aqui na Serra como um troféu.
A fome de cada dia matai hoje,
e saciai-nos a nossa gula,
(assim como nunca saciamos com o que temos cozido)
e não nos deixeis cair em constipação,
nem livrai-nos do sal.
Amém!


Ave Polenta
Ave Polenta, cheia de molho, o sabor é Convosco.
Bendita sois Vós entre os manjares
e bendito é o fruto do Vosso ventre: Cuscuz.
Santa Polenta, Mãe dos Pobres, fritai por nós, comedores,
agora e na hora da nossa fome.
Amém!






terça-feira, 13 de setembro de 2011

POEMA CAÇA-PALAVRAS Nº4

Na era Pós-sabugo, manifesto é 'perca' de tempo. Valem ouro as receitas da Nona, o rítmico preparo dos guisados farináceos e a habilidade estóica com as méscolas. Vale ouro o pó subtraído dos grãos com a sova dos monjolos e pilões. Estilo individual é coisa passadista, porque polenta é: cópia da cópia copiada da cópia. A receita vem na veia, é genética, capichi?

Encher a boca com farinha e exclamar repetidas vezes: "farinha", "farinha", "farinha"!... Eis o desafio. Néscio é quem cria, fica rico quem copia. Pegue o pombo!


Poema sem manifesto é receita: polenta!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

POEMA CAÇA-PALAVRAS Nº3

Na era Pós-sabugo, a fome na Terra da Cocanha caiu pela metade (dados do último non-sense). Mas salvaguardou-se pelas gerações a Arte de preparar a polenta - guisado farináceo com que se aquilatam filós e se celebra a fome atávica. A ritualização da fome, a sacralização da receita! A hóstia de polenta! O gesto imutável de operar a méscola como obrigação escolar, a repetição dos movimentos ritmados e o cantarolar de La bella polenta! Um bambino desbafa: "- Antes uma méscola na panela, que uma mescolada nos dedos..."

A poesia da era Pós-sabugo pode ser cozida ou brustolada, fruída com queijo ou molho de perdizes. A matéria-prima dessa poesia (chamem-na Poema Caça-palavras) vem da terra, escapa do caruncho, passa pelo monjolo, cai na panela e ganha forma com água quente e sal de cozinha. Não há manifestos, há receita! Ei-la, a cópia da cópia:

Criação seriada do mestre Joanim Pepperoni.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

POEMA CAÇA-PALAVRAS Nº 2


Na era Pós-sabugo, a Arte fugiu dos museus, exilou-se nas cozinhas, foi incrustar-se na gordura das panelas... Um mestre-cozinha chega ao clímax com o ritmado tchá-tchá-pum! da méscola no guisado farináceo: “Polenta com latte engrossa le culate” – admitem rechonchudas ativistas do movimento cocanhês Polenta com Pissacán.
“Gestão de palavras” é a palavra de ordem do lirismo globalizado e do novo Poema Caça-palavras. Eis a cópia do original:



O Poema Caça-palavras: produção seriada altamente econômica

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O POEMA CAÇA-PALAVRAS


Na era Pós-sabugo, a Arte despiu-se da palha sisuda e áspera, passando a ser produzida com farinha de milho e massinha de modelar... Para que o leitor frua um inesquecível momento gastronômico e experimente a estética do ludismo transgênico, publico a seguir o primeiro exemplar de um novo gênero literário: o Poema Caça-palavras.


O Poema Caça-palavras (inventado por Joanim Pepperoni, PhD)