sexta-feira, 11 de março de 2016

O fim da trilogia da Terra da Cocanha

Enfim, publicou-se, para a alegria geral da nação cocanhesa, o terceiro volume da trilogia da Terra da Cocanha.

"Uma comédia em cinco atos violentos, dedicada à elite intelectual, política e industrial de Polentawood. Um libelo do povo trabalhador, representado pelo Debulhador Maneta, onde o autor dispara setas ácidas para todos os lados, com referências a diversas personalidades locais – ora veladas, ora explícitas. Sem deixar de lembrar as grandes peças cômicas como as de Molière e Shakespeare, o texto também lembra o melhor de Jarry e Qorpo Santo, mas com a necessária violência que o cenário local exige. Um fechamento com chave de ouro para nossa trilogia épica!" (O Polenteiro)


sábado, 3 de outubro de 2015

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A CANÇÃO DO BURRACO



A CANÇÃO DO BURRACO
 
Vejo buracos
por toda parte,
de toda sorte
e de toda arte.
Há buracos novos,
em bom Estado
e buracos velhos,
já antiquados.
Vejo buracos
para pedestres,
para cariolas
para chevettes.
Buracos particulares,
cavidades federais,
lacunas públicas,
socavões municipais.
Falta-nos enxada?
– Está enferrujada!
Falta-nos patrola?
– Esta sempre atola!
Falta-nos piche?
– Por mim que abiche!
Falta-nos vontade?
– Buraco é entrave!
 
Vejo buracos
por toda parte,
de toda sorte
e de toda arte.
 
Há buracos urbanos
rachaduras rurais;
Há covas sem dono
e tocas abissais.
Buracos e frestas,
orifícios e fendas,
brechas funestas,
rombos e emendas.
Falta-nos desembaraço?
– Ai, que cansaço!
Faltam-nos engenheiros?
– Choveu o dia inteiro!
Falta-nos um mestre-obras?
– Foi picado de cobra!
 
A gente que é fraco
e cai no buraco!
O buraco é fundo?
Acaba-se o mundo!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ENCONTRADO CARRO DI BUOI ESPACIAL

A pista de pouso do carro di buoi espacial pilotado por Luigi Braccioforte
 

A Agência Espacial Cocanhesa (ECO, PÓ) teve, por 30 anos, uma frota de 5 carro di buoi espaciais (um sexto, o protótipo Mescolprise, nunca foi ao espaço). Dois deles, o Tchá-Tchá-Pum-Challenger e o La Colomba Brustolata, foram perdidos em explosões que causaram a morte de 14 astronanes. Os outros três, o Tegonis, o Indavouali e o Discovery di Polenta, estão expostos em diferentes museus e centros espaciais da Terra da Cocanha.
Todavia, o que ninguém sabia é que um sétimo carro di buoi espacial foi construído e enviado ao espaço sideral nos anos 70. Segundo informações colhidas aqui e ali, esse carro di buoi teria sido usado durante a Guerra da Polenta Fria para espionar os países vizinhos e roubar tecnologia nanenuclear. Dado como extraviado até a manhã de hoje, a ECO, PÓ finalmente respirou aliviada com o seu retorno ao solo cocanhês - ou melhor, a um telhado cocanhês.
O fenômeno responsável pela recuperação do carro di buoi espacial foi um tornado invertido, que, na noite passada, sugou o velículo do espaço e o encravou sobre um telhado estilo colonial no povoado de Novo Milhano. Conforme nota oficial emitida pela ECO, PÓ, o piloto Luigi Braccioforte, logo após a aterrissagem, teria desembarcado do velículo e pedido um garrafão de vinho ao proprietário do Bar Parada 460. Após, não foi mais localizado para dar explicações sobre a viagem...


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A CANÇÃO DO TRABALHO

Tal como a uva colhida
fecunda a pipa, no porão,
para fecundar a vida,
o lavoro se inventou.

Feliz quem pode, orgulhoso,
dizer: “Nunca fui vadio:
e, se hoje sou ganancioso,
ao lavoro devo o que sou”.

É preciso, desde a infância,
ir preparando a ganância:
para chegar à ventura
é preciso lavorar.

Não nasce a espiga perfeita,
não cresce o sabugo reto;
e, para ter a vindima,
é urgente lavorar.

[Joanim Pepperoni, PhD – em clima de vadiagem]

"Testom di Porqui" (Banha sobre toalha de mesa - Leonane da Vinte)
 
  

sábado, 3 de agosto de 2013

DAS RELAÇÕES SOCIAIS E COMERCIAIS

Este é o mais recente produto da minha pesquisa antropolentológica na Terra da Cocanha, dedicado a todas os(as) cocanheses(as) que cultivam o hábito de ignorar publicamente seus conhecidos ou colegas de trabalho.

Das relações sociais e comerciais
 
Quando o Nane põe as tamancas
e na cidade vai vender  torresmos,
a todos cumprimenta a esmo
para o seu negócio de pelancas.
 
Sorri como hiena atraindo a presa,
disfarçando, falastra,  a cobiça,
os ovos de todos gaba, e a linguiça,
com donairosa gentileza.
 
Mas se encontra um seu vizinho,
conhecido, amigo de infância,
já na face põe uma carranca
e pro lado vira o seu focinho.